COLEÇÃO DAS REGRAS MONÁSTICAS DO BUDISMO THERAVĀDA

O Código de Disciplina Monástica dos Bhikkhus

Regras Nissaggiya 10: Reis

História de origem

Em certa ocasião o Abençoado estava em Savathi no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika. Naquela época, um ministro que era discípulo do Venerável Upananda enviou através de um mensageiro recursos para a aquisição de um manto para o Venerável Upananda, dizendo: “Vá e compre um manto com estes recursos e o ofereça ao venerável Upananda.”

O mensageiro foi até o Venerável Upananda e disse: “Venerável, eu trago comigo recursos para a aquisição de um manto para você. Por favor, aceite.”

“Nós não recebemos recursos para a aquisição de mantos, mas sim mantos de acordo com o que é permitido e na hora certa.”

“Há alguém que lhe preste serviços que possa fazê-lo?”

Naquele momento um discípulo leigo chegava ao mosteiro para resolver alguns assuntos. O Venerável Upananda então apontou para este e disse ao mensageiro: “Este discípulo leigo presta serviços para os bhikkhus.”

O mensageiro então instruiu aquele discípulo leigo e em seguida foi de novo até o Venerável Upananda e lhe disse: “Venerável, eu instruí o discípulo leigo que você apontou para mim. Por favor, procure-o quando for a hora certa e ele lhe oferecerá um manto.”

Mais tarde o ministro enviou uma mensagem ao Venerável Upananda, dizendo: “Por favor use o manto oferecido; É nosso desejo que você faça uso deste.” Mas o Venerável Upananda não procurou o discípulo leigo. O ministro enviou a mesma mensagem uma segunda vez mas novamente Venerável Upananda não fez nada. O ministro então enviou a mesma mensagem uma terceira vez.

Naquela ocasião, os habitantes da cidade realizavam uma assembléia, e era o acordo que quem chegasse atrasado seria multado em cinquenta moedas. Foi então que o Venerável Upananda foi até aquele discípulo leigo e lhe disse: “Eu preciso de um manto.”

“Venerável, por favor espere um dia, pois hoje se dará a assembléia e o acordo é que quem chegar atrasado terá de pagar uma multa de cinquenta moedas.”

“Ofereça-me o manto hoje”, disse o Venerável Upananda.

Sendo pressionado daquela forma pelo Venerável Upananda, aquele discípulo leigo lhe comprou o manto e como consequência ele se atrasou para assembléia. As pessoas lhe perguntaram: “Senhor, porque se atrasou? Isto lhe custará cinquenta moedas.”

Então aquele discípulo leigo informou aquelas pessoas o ocorrido. Eles se queixaram e criticaram: “Estes contemplativos Sákya têm grandes desejos; eles não se contentam. Até mesmo lhes prestar serviços não é algo simples. Como pôde o Venerável Upananda não aceitar esperar por um dia quando solicitado?”

Os bhikkhus ouviram as queixas e a crítica daquelas pessoas e os bhikkhus de poucos desejos … se queixaram e criticaram da mesma forma: “Como pôde o Venerável Upananda não aceitar esperar por um dia quando solicitado?”

Depois de criticar aqueles bhikkhus de várias formas, eles então informaram o Abençoado do ocorrido … e ele questionou Upananda: “É verdade, Upananda, que você agiu de tal forma?”

“É verdade, mestre.”

O Buda então o repreendeu: “… Homem tolo, como pôde você não aceitar esperar por um dia quando solicitado? Isto não fará surgir fé naqueles ainda sem fé … E então, bhikkhus, esta regra de treinamento deve ser assim recitada:

Regra final

“Um rei, um empregado de um rei, um brâmane ou um chefe de família envia através de um mensageiro recursos para a aquisição de um manto para um bhikkhu, dizendo: ‘Vá e compre um manto com estes recursos e o ofereça ao bhikkhu fulano de tal.’ O mensageiro vai até aquele bhikkhu e lhe diz: ‘Venerável, eu trago comigo recursos para a aquisição de um manto para você. Por favor, aceite.’ E aquele bhikkhu deve lhe responder: ‘Nós não recebemos recursos para a aquisição de mantos, mas sim mantos de acordo com o que é permitido e na hora certa.’ Se esse mensageiro então diz: ‘Há alguém que lhe preste serviços que possa fazê-lo?’ Se o bhikkhu estiver precisando de um manto, ele deve apontar um assistente do mosteiro ou um discípulo leigo e dizer: ‘Este discípulo leigo presta serviços para os bhikkhus.’ O mensageiro instrui aquele discípulo leigo e em seguida vai de novo até o bhikkhu: ‘Venerável, eu instruí o discípulo leigo que você apontou para mim. Por favor, procure-o quando for a hora certa e ele lhe oferecerá um manto.’ Então, quando aquele bhikkhu precisar de um manto, ele deverá se aproximar daquele atendente ou discípulo leigo e indicar e alertar duas ou três vezes, dizendo: ‘Eu preciso de um manto.’ Se, em seguida, ele obtém um manto, isso é bom. Caso contrário, ele deve pressionar ficando de pé e em silêncio por no máximo seis vezes. Se, em seguida, ele obtém um manto, isso é bom. Se ele faz qualquer esforço adicional e em seguida, obtém o manto, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia. Caso ele não obtenha o manto, ele deverá informar, em pessoa ou através de um mensageiro, o proprietário dos recursos para aquisição de um manto em questão, dizendo: ‘Senhores, o bhikkhu tal e tal ainda não foi beneficiado com os recursos para aquisição de um manto por vocês enviado. Por favor, ajam em prol do que é seu; não deixem que tais recursos sejam perdidos.’ Este é o procedimento correto.”

Definições

Para um bhikkhu […]: há a intenção de se oferecer ao bhikkhu, havendo consideração por este e tendo-se em mente a este beneficiar.

Um rei: alguém que governa.

Empregado de um rei: alguém que receba alimentos e salário de quem governa.

Um brâmane: alguém que nasce numa família brâmane.

Um chefe de família: alguém que não seja um rei, um empregado de um rei ou um brâmane.

Recursos: uma quantidade de ouro, uma pérola ou uma joia.

Com estes recursos: com o que se tem à disposição.

Compraremos: uma troca será realizada.

Ofereceremos […]: ocorrerá a doação.

O mensageiro vai até aquele bhikkhu e lhe diz: ‘Venerável, eu trago comigo recursos para a aquisição de um manto para você. Por favor, aceite.’ e aquele bhikkhu deve lhe responder: ‘Nós não recebemos recursos para a aquisição de mantos, mas sim mantos de acordo com o que é permitido e na hora certa.’ Se esse mensageiro então diz: ‘Há alguém que lhe preste serviços que possa fazê-lo?’ Se o bhikkhu estiver precisando de um manto, ele deve apontar um assistente do mosteiro ou um discípulo leigo e dizer: ‘Este discípulo leigo presta serviços para os bhikkhus.’ O bhikkhu não deve dizer “Dê para este/ele guardará os recursos/ele realizará a troca/ele comprará o manto.”

O mensageiro instrui aquele discípulo leigo e em seguida vai de novo até o bhikkhu: ‘Venerável, eu instruí o discípulo leigo que você apontou para mim. Por favor, procure-o quando for a hora certa e ele lhe oferecerá um manto.’ Então, quando aquele bhikkhu precisar de um manto, ele deverá se aproximar daquele atendente ou discípulo leigo e indicar e alertar duas ou três vezes, dizendo: ‘Eu preciso de um manto.’ O bhikkhu não deve dizer: “Dê-me um manto / Me arranje um manto / Vá e obtenha-me através de uma troca um manto / Compre-me um manto.”

Ele deve dizê-lo uma segunda e uma terceira vez.

Se, em seguida, ele obtém um manto, isso é bom. Caso contrário, ele deve pressionar ficando de pé e em silêncio: ele não deve se sentar em um assento. Ele não deve aceitar uma oferenda. Ele não deve dar um ensinamento. Se a pessoa lhe pergunta: “Por que você vem até a mim?”, ele deve responder: “Pense bem.” Se ele se sentar num assento, ou se ele aceitar um presente ou se ele der um ensinamento, ele perde o direito de continuar de pé.

Ele deve pressionar ficando de pé e em silêncio uma segunda e uma terceira vez. Se ele pede quatro vezes, ele pode pressionar ficando de pé e em silêncio quatro vezes. Se ele pede cinco vezes, ele pode pressionar ficando de pé e em silêncio duas vezes. Se ele pede seis vezes, ele não deverá mais pressionar ficando de pé e em silêncio.

Se ele faz qualquer esforço adicional e em seguida, o manto é oferecido, ele comete uma ofensa dukkata, de transgressão, pelo esforço. Quando ele recebe o manto, a posse do manto—ou o tecido para um manto—deverá ser renunciada e transferida para a Sangha dos bhikkhus, um grupo de bhikkhus ou um determinado bhikkhu.

“E, bhikkhus, este deverá ser renunciado desta maneira:” “… É expandido como no Bu-NP.1.3.2, com as devidas substituições … ‘Veneráveis, este manto que eu obti após solicitar por mais que três vezes e apõs pressionar de pé e em silêncio por mais de seis vezes deve ser renunciado.’ Este manto é renunciado, e então retornado: ‘Eu devolvo este manto para este venerável.’”

Caso ele não obtenha o manto, ele deverá informar, em pessoa ou através de um mensageiro, o proprietário dos recursos para aquisição de um manto em questão, dizendo: ‘Senhores, o bhikkhu tal e tal ainda não foi beneficiado com os recursos para aquisição de um manto por vocês enviado. Por favor, ajam em prol do que é seu; não deixem que tais recursos sejam perdidos.’

Este é o procedimento correto: Esta é a forma adequada de agir.

Permutações

Se ele solicita mais de três vezes e pressiona ficando de pé mais do que seis vezes, e ele entende assim o ter feito, e ele vem a receber o manto, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia. Se ele solicita mais de três vezes e pressiona ficando de pé mais do que seis vezes, mas ele não tem certeza de assim o ter feito, e ele vem a receber o manto, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia. Se ele solicita mais de três vezes e pressiona ficando de pé mais do que seis vezes, mas ele entende ter o feito menos vezes, e ele vem a receber o manto, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia.

Se ele solicita menos do que três vezes e pressiona ficando de pé menos do que seis vezes, mas ele entende o ter feito mais vezes, ele comete uma ofensa dukkata, de transgressão. Se ele solicita menos do que três vezes e pressiona ficando de pé menos do que seis vezes, mas ele não tem certeza de assim o ter feito, ele comete uma ofensa dukkata, de transgressão. Se ele solicita menos do que três vezes e pressiona ficando de pé menos do que seis vezes, e ele entende assim o ter feito, ele comete uma ofensa dukkata, de transgressão.

Quando não é uma ofensa

Não há ofensa quando: se ele solicita três vezes e pressiona ficando de pé seis vezes; se ele solicita menos do que três vezes e pressiona ficando de pé menos do que seis vezes; se o manto é oferecido sem que ele solicite; se o dono dos recursos solicita e então o manto é oferecido; indivíduo se encontra louco; ele é o primeiro a cometer a ofensa.

A décima regra nissaggiya—a regra sobre recursos para aquisição de manto oferecidos por reis—se encerra aqui.

O primeiro capítulo sobre o período kathina se encerra aqui.

Este é o Resumo:

Três acerca do fim do período de kathina,
Lavar, receber;
Três envolvendo não-parentes,
Uma dupla, e um com um mensageiro.