COLEÇÃO DAS REGRAS MONÁSTICAS DO BUDISMO THERAVĀDA

O Código de Disciplina Monástica dos Bhikkhus

Regras Nissaggiya 14: Seis anos

História de origem

Primeiro sub-relato

Em certa ocasião, o Abençoado estava em Savatthi no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika. Naquela ocasião, alguns bhikkhus faziam cobertores todo ano. Eles estavam sempre solicitando e pedindo: “Dê-nos lã; Precisamos de lã.” As pessoas se queixaram e criticaram: “Como podem os contemplativos Sákya fazer cobertores todo ano, solicitando e pedindo, ‘Dê-nos lã; Precisamos de lã?’ No nosso caso, mesmo que nossos filhos defequem ou urinem sobre estes, ou que ratos roam estes, nós apenas fazemos cobertores para nosso uso a cada cinco ou seis anos. Mas estes contemplativos Sákya fazem cobertores todo ano, solicitando e pedindo, ‘Dê-nos lã; Precisamos de lã.’”

Bhikkhus ouviram as queixas e a críticas daquelas pessoas e os bhikkhus de poucos desejos … se queixaram e criticaram da mesma forma: “Como podem esses bhikkhus agir de tal forma?”

Depois de criticar aqueles bhikkhus de várias formas, eles então informaram o Abençoado do ocorrido … “É verdade, bhikkhus, que alguns bhikkhus fazem cobertores todo ano, solicitando e pedindo, ‘Dê-nos lã; Precisamos de lã?’”

“É verdade, mestre.”

O Buda então os repreendeu: “… Homens tolos, como puderam estes bhikkhus fazerem cobertores todo ano, solicitando e pedindo, ‘Dê-nos lã; Precisamos de lã?’ Isto não fará surgir fé naqueles ainda sem fé … E então, bhikkhus, esta regra de treinamento deve ser assim recitada:

Regra Preliminar

“Se um bhikkhu faz um novo cobertor, ele deve mantê-lo por seis anos. Se ele faz um outro e novo cobertor menos de seis anos após a confecção do primeiro, mesmo que o cobertor antigo tenha sido dado ou não a outrem, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia.”

E foi desta forma que o Abençoado estabeleceu esta regra de treinamento.

Segundo sub-relato

Certa vez, um certo bhikkhu de Kosambī ficou doente. Os parentes daquele bhikkhu lhe mandaram uma mensagem: “Venha, Venerável, nós cuidaremos de você.” Outros bhikkhus o encorajaram a ir, mas ele disse: “O mestre estabeleceu uma regra de treinamento que diz que um bhikkhu que faz um manto deve mantê-lo por seis anos. Eu estou doente, e portanto eu não poderei viajar levando comigo meu cobertor. Dado que não me sinto à vontade de deixar para trás meu cobertor, não posso ir.”

Eles informaram o Abençoado do ocorrido. O Abençoado então deu um ensinamento e se dirigiu aos bhikkhus:

“Bhikkhus, eu permito que vocês autorizem um bhikkhu doente se afastar de seu cobertor. E a permissão deve deve ser dada desta forma: “Após abordar a Sangha dos bhikkhus aquele bhikkhu deverá colocar seu manto sobre um ombro, prestar homenagem aos pés dos bhikkhus sêniores, ajoelhar-se, levantar as mãos juntas em anjali, e dizer: ‘Veneráveis, eu estou doente, e não sou capaz de viajar com meu cobertor. Peço que a Sangha me autorize a me afastar de meu cobertor.’ E ele deve repetir o pedido uma segunda e uma terceira vez.

Em seguida, um bhikkhu experiente e competente deve informar a Sangha: “‘Veneráveis, possa a Sangha me escutar. Tal e tal bhikkhu se encontra doente. Ele se encontra incapacitado de viajar com seu cobertor. Ele está pedindo que a Sangha lhe permita se afastar de seu cobertor. Se conveniente para a Sangha, esta deve permitir que tal e tal bhikkhu se afaste de seu cobertor. Esta é a moção.

“‘A Sangha permite que tal e tal bhikkhu se afaste de seu cobertor. A Sangha aprova e portanto não se pronuncia. Assim me lembrarei.’

“Veneráveis, possa a Sangha me escutar. Tal e tal bhikkhu se encontra doente. Ele se encontra incapacitado de viajar com seu cobertor. Ele está pedindo que a Sangha lhe permita se afastar de seu cobertor. A Sangha permite que tal e tal bhikkhu se afaste de seu cobertor. Aqueles que aprovarem devem permanecer em silêncio. Aqueles que não aprovarem devem dizê-lo.

“‘A Sangha permite que tal e tal bhikkhu se afaste de seu cobertor. A Sangha aprova e portanto não se pronuncia. Assim me lembrarei.’

“E então, bhikkhus, esta regra de treinamento deve ser assim recitada:

Regra final

“Se um bhikkhu faz um novo cobertor, ele deve mantê-lo por seis anos. Se ele faz um outro e novo cobertor menos de seis anos após a confecção do primeiro, mesmo que o cobertor antigo tenha sido dado ou não a outrem, a não ser quando os bhikkhus lhe tenham dado a permissão, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia.”

Definições

Novo: algo feito recentemente.

Um cobertor: é feito através da calandragem, não pela tecelagem.

Faz: o bhikkhu faz ou arranja alguém que o faça.

Ele deve mantê-lo por seis anos: o cobertor é mantido por pelo menos seis anos.

Menos de seis anos: qualquer prazo menor que seis anos.

Mesmo que o cobertor antigo tenha sido dado a outrem: mesmo que o cobertor tenha sido cedido ou oferecido para outrem.

Mesmo que o cobertor antigo não tenha sido dado a outrem: mesmo que o cobertor não tenha sido cedido ou oferecido para outrem.

A não ser quando os bhikkhus lhe tenham dado a permissão: havendo o esforço de se fazer—o ter feito por outrem—o cobertor comete-se uma ofensa dukkata, de transgressão. Quando ele recebe o cobertor, a posse deste deverá ser renunciada e transferida para a Sangha dos bhikkhus, um grupo de bhikkhus ou um determinado bhikkhu.

“E, bhikkhus, este deverá ser renunciado desta maneira:” “… É expandido como no Bu-NP.1.3.2, com as devidas substituições … ‘Veneráveis, este cobertor que eu obti deve ser renunciado.’ Este cobertor é renunciado, e então retornado: ‘Eu devolvo este cobertor para este venerável.’”

Permutações

Se o bhikkhu termina o que ele começou, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia. Se o bhikkhu arranja alguém que termine o que ele começou, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia. Se o bhikkhu termina o que foi começado por outrem, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia. Se o bhikkhu arranja alguém que termine o que foi começado por outrem, ele comete uma ofensa nissaggiya pacittiya, que implica a confissão com renúncia.

Quando não é uma ofensa

Não há ofensa quando: um novo cobertor é feito após seis anos; um novo cobertor é feito após mais do que seis anos; ele faz—ou arranja quem faça—um cobertor para outrem; se ele recebe um cobertor feito por outrem e o usa; ele faz um dossel, um tapete, uma divisória ou biombo, um colchão, ou um travesseiro; indivíduo se encontra louco; ele é o primeiro a cometer a ofensa.

A quarta regra de treinamento sobre cobertores—a regra sobre o limite de seis anos—se encerra aqui.