COLEÇÃO DAS REGRAS MONÁSTICAS DO BUDISMO THERAVĀDA

O Código de Disciplina Monástica dos Bhikkhus

Regras Saṅghādisesā 8: Raiva (1ª regra)

História de origem

Certa ocasião, o Abençoado estava em Rājagaha, no Bambual, no Santuário dos Esquilos. Naquela ocasião ao Venerável Dabba Mallaputta havia alcançado a perfeição em seu sétimo ano de vida monástica. Ele havia alcançado tudo que havia a ser alcançado e realizado por um discípulo, e por tanto não havia para ele nada mais a ser feito. Então, enquanto Dabba estava só, recluso, o seguinte pensamento lhe ocorreu: “Como poderia eu ser útil para a Sangha dos bhikkhus? Talvez eu poderia ser útil atribuindo alojamentos para a Sangha e designando as refeições?”

Quando Venerável Dabba saiu da reclusão à noite, ele se aproximou do Abençoado, trocou saudações com ele e após a troca de saudações sentou a um lado. E ele disse o seguinte: “Venerável, enquanto eu estava só, recluso, eu refleti ter alcançado e realizado tudo que há a ser alcançado e realizado por um discípulo, e então me perguntei como poderia ser eu útil para a Sangha dos bhikkus. Venerável, é meu desejo servir atribuindo alojamentos para a Sangha e designando as refeições.”

“Pois bem Dabba, faça-o por favor.”

“Sim, venerável.”

Após isto, o Abençoado deu um ensinamento e em seguida se dirigiu aos bhikkhus: “Bhikkhus, que a Sangha nomeie Dabba como o responsável pela atribuição de alojamentos e como designador de refeições. E assim ele deve ser nomeado:

“Primeiramente, Dabba deverá ser chamado, e então um bhikkhu experiente e competente deverá informar a Sangha: ‘Veneráveis, possa a Sangha me escutar. Se conveniente para a Sangha, esta deve nomear o Venerável Dabba como o responsável pela atribuição de alojamentos e como designador de refeições. Este é a moção.

“'Veneráveis, possa a Sangha me escutar. A Sangha nomeia Venerável Dabba como o responsável pela atribuição de alojamentos e como designador de refeições. Qualquer bhikkhu de acordo com a nomeação do Venerável Dabba como o responsável pela atribuição de alojamentos e como designador de refeições deve permanecer em silêncio. Quaisquer bhikkhu em desacordo deve dizê-lo.

“'A Sangha nomeou Venerável Dabba como o responsável pela atribuição de alojamentos e como designador de refeições. A Sangha aprova e portanto permanece em silência. Assim me lembrarei.'”

Então, o Venerável Dabba passou a atribuir alojamentos para os bhikkhus, fazendo-o de acordo o caráter destes. Ele colocava juntos bhikkhus que eram especialistas nos suttas, pensando, “Eles poderão recitar os suttas uns para os outros.” E ele fazia da mesma forma com os especialistas nas regras monásticas, pensando, “Eles poderão ponderar sobre as regras monástica;” assim como com aqueles focados no ensino do Dhamma, pensando, “Eles poderão abordar e conversar sobre o Dhamma”, e com aqueles focados na quietude e concentração, pensando, “Eles não perturbarão uns aos outros;” e igualmente com aqueles ainda distraídos com fofocas e seus próprios corpos, pensando, “Desta forma, até mesmo estes veneráveis serão felizes.”

Quando bhikkhus chegavam à noite, o venerável Dabba atribuia o alojamento com a ajuda da luz do elemento fogo que ele alcançava através da meditação. Os bhikkhus então chegavam tarde da noite de propósito, na esperança de ver a maravilha do poder psíquico do Venerável Dabba. Eles abordavam o Venerável Dabba e diziam: “Venerável Dabba, atribua-me um alojamento.”

“Onde você gostaria de se alojar?”

E então intencionalmente eles sugeririam para algum lugar distante: “Por favor, atribua-me um alojamento na montanha do Pico do Abutre … no Penhasco dos Ladrões … na Caverna Satapanni na encosta do Monte Vebhara … na Pedra negra na encosta do Monte Isigili … na encosta ao lado da Lagoa das Cobras no Bosque Frio … no Parque Tapoda … no Santuário dos Esquilos em Veluvana … no mangueiral de Jivaka … e também em Rājagaha no Parque do Gamo Maddakucchi.”

O Venerável Dabba então seguia à frente dos bhikkus, com o dedo brilhando com a ajuda da luz do elemento fogo que ele alcançava através da meditação. Eles o seguiam de perto com a ajuda daquela luz. Ele então lhes apontava um alojamento: “Esta é a sua cama, este é seu banco, esta é sua almofada, este é o seu travesseiro, este é seu banheiro, este é o seu penico, aqui está a água de beber, aqui a água para outros usos, esta é sua bengala; estes são os acordos e regulamentos da Sangha, tal é a hora para chegar, tal é a hora de partir.” E então o Venerável Dabba voltava para para o Bambual no Santuário dos Esquilos.

Naquela época, os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka haviam sido recentemente ordenados. Eles tinham pouco prestígio e obtiam refeições e alojamento de qualidade inferior. Era o desejo do povo de Rājagaha oferecer refeições especialmente preparadas para os bhikkhus sêniores—contendo ghee, óleo e outros ingredientes especiais—mas para os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka eles ofereciam alimentos simples, papa de arroz quebrado e caril azedo. Após a refeição, tendo retornado coleta das esmolas de alimentos, eles perguntavam aos bhikkhus sêniores: “O que lhes foi oferecido no salão de refeições?”

Alguns diziam: “Recebemos comida feita com ghee, óleo e outros ingredientes especiais.”

Mas os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka diziam: “Não recebemos nada de especial, apenas alimentos simples, papa de arroz quebrado e caril azedo.”

Naquela época um certo chefe de família que oferecia comida de boa qualidade fez oferendas regulares de refeições para quatro bhikkhus. Juntamente com sua esposa e filhos ele fazia suas oferendas no salão de refeições. Cada um deles oferecia arroz, acompanhamentos, óleo e outros ingredientes especiais. Foi então que a refeição oferecida por tal chefe de família foi designada para os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka. Um dia antes, aquele chefe de família fora para o mosteiro resolver alguns assuntos. Lá ele se aproximou do Venerável Dabba, o homenageou a se sentou a um lado. O Venerável Dabba então o instruiu, inspirou e alegrou com um ensinamento. Depois da conversa, ele perguntou ao Venerável Dabba: “Venerável, para quem devemos oferecer a refeição a ser servida amanhã em nossa casa?”

“Para os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka.”

O chefe de família então se decepcionou e pensou: “Por qual razão deveriam estes bhikkhus de má reputação vir comer em nossa casa?” Ao chegar em sua casa ele disse para uma escrava: “Para aqueles que ofereceremos a refeição amanhã prepare apenas papa de arroz quebrado e caril azedo, e apronte assentos do lado de fora da casa.”

“Sim, senhor.”

Sabendo da designação feita por Dabba, os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka disseram entre si: “Nos foi desginada a refeição na casa do chefe de família que oferece comida de boa qualidade. Amanhã ele nos servirá juntamente com sua esposa e filhos. Cada um deles nos oferecerá arroz e acompanhamentos feitos com óleo e outros ingredientes especiais.” Assim excitados, eles não dormiram bem naquela noite.

Então, após se vestirem pela manhã, os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka pegaram sua tigela e manto e foram para a casa do chefe de família. Quando a escrava os viu chegando, ela preparou assentos na varanda, do lado de fora da casa, e lhes disse: “Veneráveis, sentem-se por favor.”

Os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka pensaram: “A refeição não deve estar pronta, por isso nos ofereceram assentos na varanda.”

Ela então trouxe papa de arroz quebrado e caril azedo e lhes disse: “Comam, veneráveis.”

“Mas, irmã, nós viemos para oferenda regular de refeição.”

“Eu sei. Mas ontem fui instruída pelo chefe de família a assim lhes servir. Por favor, comam.”

Os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka então disseram entre si: “Ontem o chefe de família foi ao mosteiro e falou com Dabba. Dabba deve ser o responsável por essa divisão entre nós e este chefe de família.” E por se encontrarem decepcionados, eles não comeram tanto quanto desejaram. Após a refeição, eles voltaram ao mosteiro e, após guardarem suas tigelas e mantos, sentaram-se do lado de fora do portão do mosteiro vestindo seus mantos externos. Eles estavam silêncio, consternados, com os ombros caídos e a cabeças baixas, deprimidos e sem palavras.

Foi então que a bhikkhuni Mettiyā aproximou-se deles e disse: “Eu os homenageio, veneráveis.” Mas eles não responderam. Uma segunda vez e uma terceira vez ela disse a mesma coisa, mas eles não responderam.

“Eu fiz algo de errado? Por que vocês não respondem?”

“É porque nós fomos maltratados por Dabba Mallaputta, e você não se importa.”

“O que posso eu fazer?”

“Se você quiser, você poderia fazer com que o Abençoado expulsasse Dabba da Sangha.”

“O que devo fazer? Como poderia eu fazer isso?”

“Vá até o Abençoado e diga: ‘Venerável senhor, não é adequado ou apropriado. Neste distrito há medo, sofrimento e opressão, enquanto nenhum destes deveria existir. De onde se esperaria a segurança, há insegurança. É como se a água estivesse em chamas. O Venerável Dabba me violou.'”

“Muito bem, senhores,” e ela então se aproximou do Abençoado, o homenageou e sentou-se a um lado, repetindo em seguida o que havia sindo instruída a dizer.

O Abençoado então convocou a Sangha dos bhikkhus e perguntou ao Venerável Dabba: “Dabba, você lembra de ter feito a esta bhikkhuni o que ela diz?”

“Venerável senhor, o Abençoado me conhece.”

Uma segunda e uma terceira vez, o Abençoado fez a mesma pergunta e obteve a mesma resposta. Ele então disse: “Dabba, os Dabbas não dão respostas evasivas como estas. Se você o fez ou não, diga.”

“Venerável senhor, desde que nasci não me lembro de ter tido realizado atos sexuais, nem mesmo em sonho, e muito menos enquanto acordado.”

Em seguida, o Abençoado se dirigiu aos bhikkhus: “Pois bem, bhikkhus, expulsem a bhikkhuni Mettiyā e chamem aqueles bhikkhus para se explicar.” O Abençoado então levantou-se do seu assento e entrou em sua morada.

Quando os bhikkhus expulsaram a bhikkhuni Mettiyā, os bhikkhus, Mettiya e Bhūmajaka lhes disseram: “Não expulsem a bhikkhuni Mettiyā; Ela não fez nada de errado. Ela foi manipulada por nós, que estávamos com raiva e descontentes, objetivando fazer com que Dabba deixasse a vida monástica.”

“Mas vocês acusaram de forma infundada o Venerável Dabba de ter cometido uma ofensa parajika, que envolve a expulsão?”

“Sim.”

Os bhikkhus de poucos desejos … se queixaram e criticaram: “Como puderam os bhikkhus Mettiya e Bhūmajaka acusar de forma infundada o Venerável Dabba de ter cometido uma ofensa parajika, que envolve a expulsão?”

Eles repreenderam aqueles dois bhikkhus de muitas maneiras e em seguida, informaram o Abençoado do ocorrido, que em seguida lhes questionou: “É verdade, bhikkhus, que vocês acusaram de forma infundada o Venerável Dabba de ter cometido uma ofensa parajika, que envolve a expulsão?”

“É verdade, mestre.”

O Abençoado então os repreendeu: “Homens tolos, como puderam vocês ter acusado de forma infundada o Venerável Dabba de ter cometido uma ofensa parajika, que envolve a expulsão? Isto não fará surgir fé naqueles ainda sem fé … “E então, bhikkhus, esta regra de treinamento deve ser assim recitada:

Regra final

“Se um bhikkhu, enraivecido e descontente, acusa de forma infundada um outro bhikkhu de ter cometido uma ofensa parajika, que envolve a expulsão, com o objetivo de fazê-lo deixar a vida monástica, e em seguida depois de algum tempo—tendo sido ele questionado ou não—se torna claro que a acusação é infundada, e ele admite ter sido motivado pela raiva, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.”

Definições

Um: refere-se a qualquer indivíduo, de tal tipo, de tal ocupação, de tal status social, de tal nome, de tal família, de tal conduta, de tal comportamento, de tal associação, seja de muita ou pouca idade, ou não pertencendo a nenhum grupo específico. … Bhikkhu: neste caso, um bhikkhu é alguém que tenha recebido a ordenação completa na Sangha de bhikkhus através de um procedimento formal, consistindo de três moções e três proclamações, que é irrefutável e completo.

Um outro bhikkhu: um bhikkhu que não aquele que acusa.

Enraivecido: irritado, desgostoso, insatisfeito, hostil.

Descontente: tomado pela raiva e irritação ele se encontra descontante, desgostoso, chateado.

De forma infundada: não foi visto, não se suspeita, nada se se ouviu.

Ofensa parajika, que envolve a expulsão: uma das quatro parajika—realizar atos sexuais, tomar aquilo que não foi oferecido, matar um ser humano ou alegar estados supra-humanos.

Acusa: condena ou faz com que seja condenado.

Com o objetivo de fazê-lo deixar a vida monástica: visando fazê-lo deixar de ser um bhikkhu, deixar de ser um contemplativo, abandonar sua virtude, abandonar os benefícios da vida santa ou contemplativa.

E em seguida depois de algum tempo: um momento, um instante, um segundo após a acusação ter sido feita.

Tendo ele sido questionado: ele é questionado sobre os motivos de sua acusação.

Ou não: ele não é questionado por ninguém.

A acusação: existem quatro tipos de acusações: acusações devido a disputas, acusações devido a denúncias, acusações devido a ofensas, acusações devido a protocolos.

Ele admite ter sido motivado pela raiva: ele admite que o que foi dito foi em vão, era falso, não era real; ou que o disse sem ter sem certeza.

Uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão: apenas a sangha dos bhikkhus—e não um grupo de bhikkhus ou um bhikkhu apenas—pode declarar a penitência devida, suspender e estabelecer a reinclusão na sangha. Portanto é dito que se comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão, este é o nome e definição desta classe de ofensas. Desta forma, igualmente, isto é o que se entende por cometer uma “ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.”

Permutações

Permutações parte 1

Fazendo a acusação ele mesmo

Embora ele não tenha visto, ele acusa outrem de ter cometido uma ofensa parajika: “Eu vi você cometer uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha ouvido, ele acusa outrem de ter cometido uma ofensa parajika: “Eu ouvi você cometer uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha suspeitas, ele acusa outrem de ter cometido uma ofensa parajika: “Eu suspeito que você tenha cometido uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha visto, ele acusa outrem de ter cometido uma ofensa parajika: “Eu vi e ouvi você cometer uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha visto, ele acusa outrem de ter cometido uma ofensa parajika: “Eu vi e suspeito que você tenha cometido uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha visto, ele acusa outrem de ter cometido uma ofensa parajika: “Eu vi, ouvi e suspeito que você tenha cometido uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha ouvido, ele acusa outrem de ter cometido uma ofensa parajika: “Eu ouvi e suspeito … Eu ouvi e vi … Eu vi, ouvi e suspeito que você tenha cometido uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha suspeitas, ele acusa outrem de ter cometido uma ofensa parajika: “Eu vi e suspeito … Eu ouvi e suspeito … Eu vi, ouvi e suspeito que você tenha cometido uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Ele viu um outro bhikkhu cometer uma ofensa parajika, mas ele o acusa assim: “Eu ouvi você cometer uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Ele viu um outro bhikkhu cometer uma ofensa parajika, mas ele o acusa assim: “Eu suspeito … Eu ouvi e suspeito que você tenha cometido uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Ele ouviu um outro bhikkhu cometer uma ofensa parajika, mas ele o acusa assim: “Eu suspeito … Eu vi … Eu vi e suspeito que você tenha cometido uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Ele suspeita que um outro bhikkhu tenha cometido uma ofensa parajika, mas ele o acusa assim: “Eu vi … Eu ouvi … Eu vi e ouvi você cometer uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Ele viu um outro bhikkhu cometer uma ofensa parajika, mas ele não tem certeza, não acredita, não lembra ou se encontra confuso sobre o que viu … sobre o que ouviu … sobre o que ele suspeita. Mesmo assim ele o acusa assim: “Eu suspeito e vi … Eu suspeito e ouvi … Eu suspeito, eu ouvi e vi você cometer uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Arranjando um terceiro para fazer a acusação

Embora ele não tenha visto, ele arranja um terceiro para acusar uma ofensa parajika: “Você foi visto. Você cometeu uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha ouvido … Embora ele não tenha suspeitas, ele arranja um terceiro para acusar uma ofensa parajika: “Você foi visto. Você cometeu uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Embora ele não tenha visto, ele arranja um terceiro para acusar uma ofensa parajika: “Viu-se e ouviu-se … Viu-se e há suspeitas … Viu-se, ouviu-se e há suspeitas. Você cometeu uma ofensa parajika …” … Embora ele não tenha ouvido … Embora ele não suspeitas, ele arranja um terceiro para acusar uma ofensa parajika: “Viu-se e há suspeitas … Ouviu-se e há suspeitas … Viu-se, ouviu-se e há suspeitas. Você cometeu uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Ele viu um outro bhikkhu cometer uma ofensa parajika, mas arranja um terceiro para acusar: “Ouviu-se … Suspeita-se … Ouvi-se e suspeita-se. Você cometeu uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Ele ouviu … Ele tem suspeitas de que um outro bhikkhu cometeu uma ofensa parajika, mas arranja um terceiro para acusar: “Viu-se … Ouvi-se … Viu-se e ouviu-se. Você cometeu uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Ele viu um outro bhikkhu cometer uma ofensa parajika, mas ele não tem certeza, não acredita, não lembra ou se encontra confuso sobre o que viu … sobre o que ouviu … sobre o que ele suspeita. Mesmo assim ele arranja um terceiro para acusar: “Suspeita-se e viu-se … Suspeita-se e ouviu-se … Suspeita-se, viu-se e ouviu-se. Você cometeu uma ofensa parajika. Você não é mais um contemplativo, um filho do Sákya; você está excluído da observância do uposatha, da cerimônia de abertura do retiro das chuvas, e também dos procedimentos formais da Sangha.” Para cada afirmativa, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Permutações parte 2

Resumo

Alguém é impuro mas é tido como sendo puro;
Alguém é puro mas é tido como sendo impuro;
Alguém é impuro e é tido como sendo impuro;
Alguém é puro e é tido como sendo puro.

Detalhamento

Alguém é impuro mas é tido como sendo puro

Alguém impuro comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como puro e não tendo obtido consentimento, fala com o objetivo fazê-lo deixar a vida monástica, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão e uma ofensa dukkata, de transgressão.

Alguém impuro comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como puro e tendo obtido consentimento, fala com o objetivo fazê-lo deixar a vida monástica, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Alguém impuro cometeu uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como puro e não tendo obtido consentimento, fala com o objetivo de insultá-lo, ele comete uma ofensa pacittiya, que requer confissão, pelo insulto com a palavra e uma ofensa dukkata, de transgressão.

Alguém impuro cometeu uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como puro e tendo obtido consentimento, fala com o objetivo de insultá-lo, ele comete uma ofensa pacittiya, que requer confissão, pelo insulto com a palavra.

Alguém é puro mas é tido como sendo impuro

Alguém puro não cometeu uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como impuro e não tendo obtido consentimento, fala com o objetivo fazê-lo deixar a vida monástica, ele comete uma ofensa dukkata, de transgressão.

Alguém puro não cometeu uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como impuro e tendo obtido consentimento, fala com o objetivo fazê-lo deixar a vida monástica, ele não comete uma ofensa.

Alguém puro não cometeu uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como impuro e não tendo obtido consentimento, fala com o objetivo de insultá-lo, ele comete uma ofensa pacittiya, que requer confissão, pelo insulto com a palavra e uma ofensa dukkata, de transgressão.

Alguém puro não cometeu uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como impuro e tendo obtido consentimento, fala com o objetivo de insultá-lo, ele comete uma ofensa pacittiya, que requer confissão, pelo insulto com a palavra.

Alguém é impuro e é tido como sendo impuro

Alguém impuro comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como impuro e não tendo obtido consentimento, fala com o objetivo fazê-lo deixar a vida monástica, ele comete uma ofensa dukkata, de transgressão.

Alguém impuro comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como impuro e tendo obtido consentimento, fala com o objetivo fazê-lo deixar a vida monástica, ele não comete uma ofensa.

Alguém impuro comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como impuro e não tendo obtido consentimento, fala com o objetivo de insultá-lo, ele comete uma ofensa pacittiya, que requer confissão, pelo insulto com a palavra e uma ofensa dukkata, de transgressão.

Alguém impuro comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como impuro e tendo obtido consentimento, fala com o objetivo de insultá-lo, ele comete uma ofensa pacittiya, que requer confissão, pelo insulto com a palavra.

Alguém é puro e é tido como sendo puro

Alguém puro não comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como puro e não tendo obtido consentimento, fala com o objetivo fazê-lo deixar a vida monástica, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão e uma ofensa dukkata, de transgressão.

Alguém puro não comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como puro e tendo obtido consentimento, fala com o objetivo fazê-lo deixar a vida monástica, ele comete uma ofensa sanghadisesa, séria e que envolve a suspensão.

Alguém puro não comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como puro e não tendo obtido consentimento, fala com o objetivo de insultá-lo, ele comete uma ofensa pacittiya, que requer confissão, pelo insulto com a palavra e uma ofensa dukkata, de transgressão.

Alguém puro não comete uma ofensa parajika. Se o bhikkhu, tendo este como puro e tendo obtido consentimento, fala com o objetivo de insultá-lo, ele comete uma ofensa pacittiya, que requer confissão, pelo insulto com a palavra.

Quando não é uma ofensa

Não há ofensa quando: se acha que alguém puro é impuro; se acha que alguém impuro é impuro; o indivíduo se encontra louco; ele é o primeiro a cometer a ofensa.

A oitava regra de treinamento sanghadisesa, a primeira sobre a raiva, se encerra aqui.