Saṃyutta Nikāya 52.23

Dibbacakkhu Sutta

O Olho Divino

Em certa ocasião, o Venerável Anuruddha estava em Savatthi à margem do Sutanu. Então, um grande número de bhikkhus foram até o Venerável Anuruddha e eles se cumprimentaram. Quando a conversa cortês e amigável havia terminado, eles sentaram a um lado e disseram para o Venerável Anuruddha:

“Por ter desenvolvido e cultivado quais coisas é que o Venerável Anuruddha alcançou a supremacia do conhecimento direto?”

“Amigos, é porque eu desenvolvi e cultivei os quatro fundamentos da atenção plena que alcancei a supremacia do conhecimento direto. Quais quatro? Aqui, amigos, eu permaneci contemplando o corpo como um corpo, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo.

“Eu permaneci contemplando as sensações como sensações … mente como mente … objetos mentais como objetos mentais, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo.

“Amigos, é porque eu desenvolvi e cultivei os quatro fundamentos da atenção plena que alcancei a supremacia do conhecimento direto. Além disso, amigos, é porque eu desenvolvi e cultivei os quatro fundamentos da atenção plena que por meio do olho divino, que é purificado e ultrapassa o humano, vejo seres falecendo e renascendo, inferiores e superiores, bonitos e feios, afortunados e desafortunados. Compreendo como os seres prosseguem de acordo com as suas ações desta forma: ‘Esses seres—dotados de má conduta com o corpo, linguagem e mente, que insultam os nobres, com o entendimento incorreto e realizando ações sob a influência do entendimento incorreto—com a dissolução do corpo, após a morte, renasceram no plano de privação, um destino ruim, os planos inferiores, no inferno. Porém estes seres—dotados de boa conduta com o corpo, linguagem e mente, ue não insultam os nobres, com o entendimento correto e realizando ações sob a influência do entendimento correto—com a dissolução do corpo, após a morte, renasceram num bom destino, no paraíso.’ Dessa forma—por meio do olho divino, que é purificado e ultrapassa o humano, eu vejo seres falecendo e renascendo, inferiores e superiores, bonitos e feios, e compreendo como os seres continuam de acordo com as suas ações.”